"Sou um animal marcado sem abatedouro à minha espera"
Em Antes do Silêncio, de Rogério Pereira, acompanhamos um filho em uma jornada com sua mãe em hospitais, exames e silêncios num tratamento de uma doença terminal.
A prosa de Rogério ao mesmo tempo que é enxuta e sem floreios, nos brinda com frases que ficam refletindo dentro de nós sobre essa relação desse homem com a mãe e a morte, enquanto tem uns minutos de respiro com encontros com a vizinha e um senhor cheio também das suas próprias tragédias para quem ele lê um único livro.
Ler Rogério Pereira, de algum modo, me lembrou um pouco da prosa do Carrascoza de falar do corriqueiro com uma certa reflexão poética. Gostei do modo como ele constrói essa narrativa fragmentada não-linear num ir e vir. Aqui o mais importante é o ato de refletir sobre como é estar vivendo com uma pessoa que vai morrer numa perspectiva de alguém que está conformada com o desfecho. Só o ato de viver, um dia de cada vez.
Entretanto esse tipo de narrativa, apesar de achar muito bem escrita, não repercute nas minhas emoções (e muito das minhas notas são mais reflexos dos meus sentimentos em relação ao livro, apesar de achar que são as reflexões que o livro proporciona). Parece que as reflexões vem prontas e não dá margem para eu elaborá-las dentro de mim.
De qualquer modo, recomendo a leitura desse finalista do prêmio São Paulo de literatura. Uma narrativa que foge do usual e muito bem escrita.
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