"Devia à angústia o pagamento de suas sucessivas ressurreições".
Em O Cozer das Pedras, O Roer dos Ossos, de Patrick Torres, somos levados a caatinga nordestina num povoado onde todos apenas sobrevivem, nela acompanhamos Mirto um jovem que enfrenta apenas dor e violência de sua mãe. Sua vida se transforma quando ocorre a morte de seu pai. A partir daí, uma jornada de perdão perpassa essa família.
A história é aparentemente simples e Patrick a desenvolve num linguagem poética e por vezes cheia de floreios. Não é desagradável, mas às vezes isso nos esconde problemas estruturais do livro e o torna cansativo. Tem situações que são esticadas ao máximo, enquanto outras, principalmente para finalizar a narrativa são colocadas rapidamente na história. Senti que faltava ali algumas explicações, principalmente quanto a trajetória do Mirto pós tragédia.
Entretanto, acredito que isso conta mais pela inexperiência do autor. Tendo isso em perspectiva, acho que é um bom livro sobre existência de pessoas sem escolhas que vivem apenas daquilo que o destino as dá. A trajetória principalmente da dona Hermina é bem construída e gostei muito da amizade dela e Zezão, mostrando que o melhor da vida muitas vezes são as grandes amizades que nos acolhe e carregam. Ótima estreia de Patrick.
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