A vida perfeita não existe quando só temos vazio

Em Nunca Vi a Chuva, escrito por Stefano Volp, acompanhamos a história de Lucas, um rapaz que parece ter a vida perfeita, mas sente um vazio enorme que o impede de sentir. Depois de mais uma briga com os pais e uma desilusão, ele decide que não há mais motivo para viver. Entretanto, uma mensagem com um vídeo de um sósia dele que tem uma deficiência vai fazê-lo ir atrás de respostas.

A leitura tem uma linguagem e o modo de escrita como um diário que funciona muito como um livro mais jovem adulto. A própria temática de descobrimento de si e de um caminho para nós no mundo, que funciona muito para esse tipo de público. Tem momentos engraçados, tristes e de boas reflexões sobre o nosso lugar no mundo, sobre as pessoas que estão a minha volta e de como nós reagimos as circunstâncias. Acredito que funcione muito bem para esse público.

Em relação a minha perspectiva, acho que não acrescenta insights novos e nem é um tipo de leitura que diverte, apesar de alguns momentos divertidos. Acho que a escolha do diário permite que a gente sinta o Lucas o tempo todo, isso pode ser um trunfo porque sabemos a todo mundo o que ele quer dizer, mas também deixamos de ver outras perspectivas nessa história. Num diário a gente sempre é meio egocêntrico, mas acredito que o Lucas também é esse ser muito centrado nele mesmo, e o diário acaba por exacerbar essa experiência.

O livro tem bons personagens, tem uma boa cadência de acontecimentos, alguns clichês, mas gosto principalmente do ângulo de mostrarem personagens jovens negros vivendo suas vidas e onde seus problemas não são a miséria e o racismo de sua existência, mas essa condição humana de sentir-se sozinhos no mundo e buscar seu caminho.

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