"parecia-lhe que era o tipo de pessoas atormentadas por algo que as deprimia e ensimesmava".
Em Asas Quebradas, o moçambicano Aldino Muianga conta a história de duas mulheres Macisse e sua filha Marcela, separadas pelo tempo e pelo espaço, vemos a trajetórias dessas duas mulheres em busca de suas identidades, enquanto passeamos pela cultura moçambicana.
Muianga tem um repertório de linguagem delicioso, fiquei encantada com o modo como ele constrói as frases, junta as palavras e principalmente como vai nos dando um panorama da região sul de Moçambique, mostrando uma nação que tem um modo de vida ancestral bem presente em suas tradições, contrastando com as práticas ocidentalizadas herança da colonização. Então nesse romance nos deparamos com essas duas mulheres que sofrem em ser mulheres em um mundo marcadamente patriarcal e que as tradições sempre as desmerecem frente a atos tão ignóbeis. Mas o ocidente, representado principalmente pelo Estado, não é melhor em as proteger.
Entretanto, apesar de gostar da escrita, achei o enredo, principalmente de Marcela um tanto quanto cansativo mais pro final. A busca de Marcela por si mesma e sua identidade acaba ficando muito ancorada em azares, que culturalmente faz sentido, mas acaba perdendo força - para uma mulher mais ocidental - porque não vem dela mesmo. Gostei muito da jornada dela em busca de suas raízes, e talvez essa parte do livro poderia ser mais desenvolvida porque tem personagens que embora breves, queremos saber mais sobre.
De qualquer modo é sempre bom ler um escritor africano, para nos deparar com esse modo de existir que é tão diferente e nos mostrar que há diversos modos de viver, e nenhum deles é o correto.
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