Se parece como humano, fala como humano, podemos não tratar como humano?
Nesse mundo criado por Kazuo Ishiguro, acompanhamos Klara, uma Amiga Artificial que tem uma grande capacidade de observação, está a espera de ser escolhida para ser companheira e tem uma relação com o Sol. Klara conhece a adolescente Josie que promete vir buscá-la, mas ela recebe um conselho de não confiar nos humanos.
Klara é uma personagem fofa, empática e muito observadora. Vamos conhecendo esse mundo e os humanos através dos seus olhos. Por ele, vamos capturando as relações humanas e o desenvolvimento de jovens humanos num mundo que aspectos diferentes do nosso, mas esses não são aprofundados. Ishiguro, está interessado em falar de amizade, empatia, a nossa relação com uma inteligência artificial pelas perspectiva de uma AI que nunca vai falar mal de um humano. O que pensamos sobre nós, esses seres retratados na história, é nossa opinião a partir da perspectiva das reações humanas no encontro com Klara e elas, em geral, não são muito boas.
O livro é dividido em três partes, sendo as três primeiras de ritmo mais lento, apresentando Klara e sua família, ficando mais movimentado nas partes finais quando percebemos alguns aspectos do interesse em Klara para aquela família que leva o autor a interrogar a particularidade de nossas identidades, somos mesmo indivíduos únicos?
Klara também tem uma relação quase religiosa com o Sol, movida a energia solar e diante de uma episódio que não pode codificar, ela passa a se dirigir ao sol como um ser superior. Talvez fazendo uma analogia com os humanos nos primórdios, ou com religiões com deidade solares e mostrando que as inteligências precisam de explicações plausíveis mesmo que implausíveis.
Foi a minha primeira experiência com o autor e apesar de gostar das reflexões, do modo como ele compõe esse mundo, achei que a escolha da Klara como narradora, acaba não dando possibilidade de outras perspectivas sobre esse mundo, deixando muita coisa por explicar. Além disso não consegui me conectar com as personagens humanas, exceto o Rick. Aliás, a Josie, é chata como a maioria dos adolescentes e como jovem adulta não tenho a melhor recordação dela, mas deve ser assim a vida (leia e saberás do que estou falando). Senti dificuldade também de perceber as descrições pelas perspectiva da narradora. De qualquer modo, o livro proporcionou boas reflexões. Klara me lembra em muitos aspectos o garotinho do filme A.I. do
Spielberg que ama os humanos, mas os humanos os olha como produtos.
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