Quando podemos voltar ao passado

Em Antes Que o Café Esfrie, romance do autor japonês Toshikazu Kawagushi, somos apresentados a uma cafeteria em Tóquio que fica no subsolo de uma rua em Tóquio que segundo a lenda você pode fazer uma viagem no tempo. Essa jornada envolve uma série de regras em que uma delas é voltar antes que o café esfrie e a outra é que o presente não será alterado. Em quatro histórias nos consolamos em aceitar que não podemos mudar o passado, mas podemos mudar o presente a partir das nossas vivências.

A linguagem do livro é bem simples e direta e nos apresenta esses personagens que estão num momento que buscam ser confrontados com o presente. Todas as histórias nos trazem reflexões dos personagens sobre ações presentes e passadas, embora as três últimas sejam até emocionantes. O problema é que acabei me cansando conforme as histórias iam se sequenciando. A última talvez seja a mais emocionante, mas eu já estava cansada daqueles personagens e com aquela impressão que era tudo meio que repetição das outras - com toda aquela repetição de regras, relógios, atos - com apenas com algumas diferenças pequenas. E não é um livro pelo menos divertido.

Também achei que falta aos personagens alguma densidade, tudo é muito externalizado, seco e simples demais para assuntos tão complexos. É claro que ele pode dar ótimas reflexões sobre o quão pouco controle temos sobre os nossos atos passados e presentes, mas de modo geral a leitura é muito rasa nessas questões. Se eu indicaria? Eu acho que quase todos os livros merecem serem lidos, mas para refletir sobre essa temática, não acredito que ele acrescenta muito. Mas lá dentro tem alguns mistérios não esclarecidos para fazer as pessoas lerem o segundo - que não vou ler - e certamente também pode ser uma boa companhia e um bom mergulho.

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