Pelas ruas de Quioto no pós-guerra e um Japão desaparecendo

 Em Kyoto, Yasanari Kawabata nos apresenta a história de Chieko, uma jovem, filha adotiva de um comerciante de quimonos que está em falência por causa ocidentalização do Japão. Num passeio pela região montanhosa aos arredores de Quioto, ela acaba conhecendo acidentalmente a sua irmã gêmea, Naeko. Criadas separadas, elas agora se aproximam.

Quando resumimos uma história, tendemos a contar em linhas gerais a ação de um livro (pelo menos é o que sempre tento, em poucas linhas, contar um pouco da narrativa, para quem outras pessoas possam se interessar pela história). Entretanto, nesse livro de Kawabata, essas linhas são apenas descrições do que está na superfície, porque o livro é uma daquelas narrações descritivas sobre um modo de vida que está em transformação e uma apresentação de um local, Kyoto, como nenhum livro de viagem poderia nos apresentar.

Somos brindados, com uma narrativa que conta sobre os festivais de Quioto, seus parques com árvores lindíssimas e muito bem descritas, por conversas e passeios cheio de silêncios, mais que de explicações. Também conhecemos um modo de vida que estava desaparecendo - a narrativa se situa no período pós-guerra - como era a indústria de confecção de quimonos e dos tecidos japoneses por artesãos que nesse período estava já em decadência pela facilidade da confecção industrial.

Portanto, o livro é muito mais que o plot, que apenas entra somente na superfície desse romance. Diria que é um mergulho profundo sobre um modo de vida e cultural de Kyoto através da tranquilidade desses personagens. Então se você quer uma história, provavelmente vai se decepcionar, mas se tiver disposto a mergulhar na cabeça daquele povo e daquela cidade e ser apresentada a um modo de estar na vida, vai gostar muito desse romance.

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