"Às vezes julgo que, de todos os tempos que temos, os entretantos são os mais menosprezados".

Em O Amor É Fodido de Miguel Esteves Cardoso, acompanhamos João que está com uma certa idade e começa a lembrar do seu grande amor, Teresa, uma mulher má ou uma paixão extremamente obsessiva e problemática que acabou por moldar e consumir a sua vida.

Esse romance é inconstante, tem bons momentos e pensamentos sobre essa paixão arrebatadora que consome um indivíduo e molda a sua vida, mas outros completamente desnecessários, com experimentações e capítulos que parecem apenas para encher linguiça - principalmente na parte final e torna a experiência final enfadonha. A linguagem vai de boas observações a um escracho total com um linguajar que beira o apelativo, para chocar com palavrão e sexo.

A trama parece inconsistente, com plots esquisitos e mal explicados, mas a gente coloca na conta do tal João que é o narrador do livro que deve estar velho e não podemos confiar naquilo que ele conta. Mas sim, não é um personagem que a gente gosta, na verdade, nem mesmo da Teresa. São pessoas extremamente egoístas e de certo modo desinteressantes. Talvez nisso reside um dos problemas do livro, a gente não se importa com esses personagens.

 Entretanto, de algum modo a paixão, esse sentimento trágico, cheio de violência e dor, tem bons momentos retratos. Apesar do livro ser muito inconstante, meio cru, pouco lapidado, pode merecer uma lida, mas não é pra todo mundo de certeza.


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