"Mildred escondeu o machado debaixo do colchão do catre que ficava na sala de jantar..."
Em Mama, romance de estreia de Terry McMillan, acompanhamos a trajetória de Mildred, uma mãe negra de cinco filhos, engraçada, durona, doida - de uma boa maneira - que vai se desdobrar para educá-los na periferia de Detroit nos anos 60.
Mama é uma história aparentemente normal sobre a vida de uma família negra, chefiada por uma mulher e todas as agruras que ela enfrenta enquanto os filhos crescem e ela envelhece. A narrativa é bem envolvente e a linguagem simples, direta com diálogos bem reais. É uma maravilha acompanhar o desenvolvimento dessa família e entrar na cabeça dessa mulher que quer ser uma boa mãe, mas também quer ser uma mulher e aproveitar a sua vida.
McMillan desenvolve muito bem a sua personagem principal, a gente vai comprando até as coisas e justificativas vai bizarras que Mildred dá porque sabemos que humanos são assim mesmo. Adoro entrar numa narrativa onde posso viver outras vidas e torcer por Mildred mesmo ela sendo tão diferente de mim. Contudo é em Freda que McMillan faz uma ótima construção de personagem: filha mais velha que precisa ser adulta da casa e ao mesmo tempo que quer isso, também queria ser criança e todas as agruras que ela acaba enfrentando por toda essa bagagem emocional. Fico muito feliz quando leio uma personagem que parece tão crível.
E o resto e esse desenrolar da vida dessas pessoas que vamos torcendo pelo caminho, que tem momentos bons e outros nem tanto, mas que seguem vivendo. O final é potente, um reencontro em laços muito significativo.
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